Em fevereiro de 2023, numa Stark Arena cheia, em Belgrado, um lutador português entrou pela primeira vez na história do país para uma final mundial. Chamava-se Alexandre Rita.
Teve de atravessar todo o quadro de featherweight dos Campeonatos do Mundo IMMAF para lá chegar. Nenhum português o tinha conseguido antes. A final foi à distância e o neozelandês Kasib Murdoch levou a decisão unânime. Rita ficou com a prata, e o MMA português ganhou o marco que há muito esperava.
Esse percurso fechou uma carreira amadora de 13-10-1, construída em campanhas IMMAF mundiais e continentais, e suficiente para o colocar no quinto lugar do ranking europeu de featherweights amadores. É um registo com derrotas, porque nunca deixou de entrar em torneios onde a única saída era passar por quem estivesse à frente.
O contador a zero
Em maio de 2026, Rita estreou-se como profissional no WOW FC 30. Desceu também de categoria, de featherweight para bantamweight, 61 kg. Vincenzo Bussolotti levou a decisão. Rita voltou para casa com 0-1.
Não há asterisco nenhum a acrescentar. Não foi finalizado nem saiu magoado. Perdeu assaltos, na estreia profissional, num peso novo. É esse o combate inteiro, e enfeitá-lo seria insultar quem o venceu.
Mas um registo profissional não é um currículo. É um contador, e o dele arrancou do zero há oito semanas. Neste momento marca 0-1 ao lado do nome de um finalista mundial. Fechar essa distância é a única tarefa da lista.
Sábado, na Guarda
Rita defronta Maiko Alves no main card do Fighter Combat League 3, no Pavilhão São Miguel, na Guarda, este sábado, 18 de julho. Alves é profissional, natural de São Paulo, no Brasil, e apresenta-se com 1-0.
O confronto lê-se com clareza. Um está a 0-1, o outro a 1-0, e ambos têm exatamente um combate de carreira profissional. Nenhum dos números diz ainda grande coisa. É precisamente isso que justifica a viagem.
Rita também não é o único atleta da Academia Unlimited no card. Alex Cruz mede forças com Nikita Kikhay, e Leonardo Ferreira compete igualmente nessa noite. A promotora vai na terceira edição e está a puxar o talento nacional para o interior.
O que sábado decide mesmo
Nada, se falarmos de Belgrado. Um combate de bantamweight na Guarda não acrescenta nada a uma final mundial nem lhe retira o que quer que seja.
Tudo, se falarmos do contador. As carreiras profissionais constroem-se assalto a assalto, e o segundo combate é onde um lutador descobre se o primeiro lhe ensinou alguma coisa. Rita já fez o mais difícil. Esteve numa final mundial com um país a ver. A Guarda é uma sala mais pequena do que Belgrado. Neste momento, pesa mais.
Treina na Academia Unlimited, no Barreiro, sob orientação de Luis Barneto. Também não é o único medalhado mundial da IMMAF no plantel da BDZ Management, o que diz muito sobre o nível que o MMA português está a produzir. O perfil completo de Alex Rita está aqui.